Medicina regenerativa

Cirurgião da coluna em São Paulo | Chefe do Grupo de Coluna do IOT-HCFMUSP

O que é a medicina regenerativa

A medicina regenerativa reúne terapias que usam o potencial biológico do próprio organismo (células, plaquetas e fatores de crescimento) para modular a inflamação, aliviar a dor e favorecer o reparo dos tecidos. Na coluna e nas articulações, ela é usada principalmente em quadros de desgaste e inflamação crônica, como artrose, tendinopatias e dor articular persistente.


Não se trata de “regenerar” o tecido de forma completa em todos os casos. O objetivo é criar um ambiente mais favorável à melhora, com menos dor e mais função. A resposta varia de pessoa para pessoa, e a evidência científica é diferente conforme a doença e a região tratada. Por isso a indicação é sempre individual.


Princípios

  • Material do próprio paciente (autólogo): o produto é obtido do seu sangue ou da sua medula óssea, no mesmo dia do procedimento.
  • Pouco invasivo: são coletas e aplicações feitas com agulha, em geral com anestesia local e/ou sedação, sem cortes.
  • Ação biológica: atuam sobre a inflamação, a dor e a reparação, e não apenas mascaram o sintoma.
  • Guiado por imagem: a aplicação é feita com ultrassom ou radioscopia, para atingir o ponto exato.
  • Parte de um plano: funcionam melhor junto com reabilitação, correção de postura e fortalecimento.


Quais são os produtos

  • PRP, plasma rico em plaquetas, obtido do sangue.
  • BMA, aspirado de medula óssea.
  • BMAC, concentrado do aspirado de medula óssea.
  • Ácido hialurônico, usado isoladamente ou em conjunto com as terapias acima. Explicado em uma seção separada, mais abaixo.


Nas seções a seguir explico cada um deles: como é coletado, como é preparado, para que serve e como se diferenciam.


PRP: plasma rico em plaquetas

O PRP é um concentrado de plaquetas obtido do seu próprio sangue. As plaquetas guardam fatores de crescimento, substâncias que participam da reparação dos tecidos e da modulação da inflamação.


Como é coletado

É feita uma coleta de sangue comum, em uma veia do braço, em pequena quantidade (em geral algumas dezenas de mililitros). É o mesmo tipo de punção de um exame de sangue.


Como é preparado

O sangue é colocado em uma centrífuga, em um sistema fechado e estéril, que separa seus componentes. O plasma com alta concentração de plaquetas é isolado e fica pronto para uso em poucos minutos, no mesmo dia. Existem preparações mais pobres ou mais ricas em leucócitos (glóbulos brancos), e a escolha depende da região e da doença tratada.


Para que serve

  • Artrose de articulações, como joelho, quadril e facetas da coluna
  • Tendinopatias e lesões de tendões e ligamentos
  • Dor articular ou sacroilíaca persistente, em casos selecionados
  • Dor miofascial e pontos dolorosos de musculatura, quando indicado


É aplicado com ultrassom ou radioscopia, no ponto exato da dor, em geral em uma ou mais sessões, conforme o caso.


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BMA e BMAC: terapias com medula óssea

A medula óssea é o tecido que fica dentro dos ossos e produz as células do sangue. Ela contém células progenitoras, incluindo uma pequena fração de células-tronco mesenquimais, além de fatores de crescimento e substâncias que modulam a inflamação.


BMA: aspirado de medula óssea

O BMA (bone marrow aspirate) é o material retirado da medula óssea, com pouco ou nenhum processamento.

  • Coleta: feita com agulha, em geral na crista ilíaca (osso do quadril), com anestesia local e, quando necessário, sedação. É um procedimento rápido, feito no centro cirúrgico.
  • Preparo: o aspirado é filtrado e pode ser usado logo em seguida, sem etapa de concentração.
  • Composição: células da medula e fatores de crescimento, misturados a sangue, o que o torna mais diluído.


BMAC: concentrado do aspirado de medula óssea

O BMAC (bone marrow aspirate concentrate) parte do mesmo aspirado, mas ele passa por uma etapa a mais.

  • Coleta: idêntica à do BMA, na crista ilíaca, em volume maior.
  • Preparo: o aspirado é colocado em uma centrífuga, em sistema fechado e estéril, que separa e concentra a fração celular, reduzindo o volume a poucos mililitros e retirando parte do sangue e das hemácias.
  • Composição: concentração maior de células progenitoras, plaquetas e fatores de crescimento por mililitro aplicado.


Para que servem

São usados em casos selecionados de artrose, lesões de cartilagem, tendinopatias e dor articular persistente, quando o tratamento convencional não foi suficiente. Também podem ser associados a procedimentos cirúrgicos, como em algumas cirurgias de fusão da coluna, conforme a indicação.


Qual é a diferença entre PRP, BMA e BMAC

  • Origem: o PRP vem do sangue; o BMA e o BMAC vêm da medula óssea.
  • Coleta: o PRP, por punção de veia; o BMA e o BMAC, por punção do osso do quadril.
  • Conteúdo principal: o PRP é rico em plaquetas e fatores de crescimento. O BMA e o BMAC contêm também células progenitoras da medula.
  • BMA × BMAC: o BMA é o aspirado sem concentração; o BMAC é o aspirado concentrado, com maior quantidade de células em menor volume.
  • Complexidade: o PRP é o mais simples; os produtos de medula são um pouco mais elaborados.


Não existe um “melhor” para todos os casos. A escolha depende do diagnóstico, da região tratada e do seu perfil, e eles podem ser combinados. Isso é definido na consulta.


Ácido hialurônico

O que é

O ácido hialurônico é uma substância naturalmente presente no corpo, em especial no líquido que lubrifica as articulações (líquido sinovial) e na cartilagem. Ele dá viscosidade e elasticidade ao líquido articular, funcionando como lubrificante e amortecedor. Com o desgaste da articulação, sua quantidade e qualidade diminuem.


O ácido hialurônico usado nos tratamentos é um produto purificado e produzido em laboratório, sem origem animal na maioria das formulações atuais. A aplicação na articulação é chamada de viscossuplementação.


Principais características

  • Lubrifica e amortece a articulação, melhorando a mobilidade.
  • Efeito sobre a dor e a inflamação, que varia conforme o produto e o paciente.
  • Ação local: é aplicado diretamente na articulação, com guia por ultrassom ou radioscopia.
  • Duração limitada: o produto é degradado pelo organismo ao longo do tempo, e por isso o efeito não é permanente.


Tipos

  • Baixo peso molecular: moléculas menores, com maior capacidade de penetrar nos tecidos e ação mais biológica. Em geral, exigem mais aplicações.
  • Alto peso molecular: moléculas maiores, com maior viscosidade e efeito de lubrificação e amortecimento.
  • Reticulado (cross-linked): as moléculas são ligadas entre si, o que torna o produto mais resistente à degradação e o efeito mais duradouro. Pode ser aplicado em dose única ou em poucas aplicações.
  • Associações: algumas formulações combinam o ácido hialurônico a outras substâncias, como anestésicos ou outros componentes. A escolha depende da articulação e do quadro clínico.


Uso em conjunto com as terapias regenerativas

O ácido hialurônico e as terapias regenerativas têm funções que se complementam. O PRP (ou o BMAC) fornece estímulo biológico, com fatores de crescimento e células. O ácido hialurônico melhora o ambiente mecânico da articulação, com lubrificação e amortecimento.


Por isso, em casos selecionados de artrose, eles podem ser aplicados na mesma sessão, na mesma articulação, ou em sessões separadas. A combinação, as doses e o número de sessões são definidos individualmente, de acordo com o diagnóstico, os exames e a resposta ao tratamento. Os estudos sobre combinações ainda estão em evolução, e os resultados variam entre pacientes.


Riscos e cuidados

Como os produtos vêm do próprio paciente, o risco de rejeição é muito baixo. Ainda assim, existem riscos pouco frequentes, como dor passageira no local, piora temporária da dor, hematoma, infecção e, na coleta de medula, dor no local da punção no quadril. Antes do procedimento, informe se você usa anticoagulantes ou anti-inflamatórios, se tem alergias ou se tem algum problema de coagulação. Os procedimentos são feitos em centro cirúrgico, com técnica estéril.


Perguntas frequentes

O resultado é imediato?

Em geral, não. O efeito costuma aparecer ao longo de semanas, e pode haver um pouco de dor no local nos primeiros dias.


Quantas sessões são necessárias?

Depende do produto e do caso. Pode ser uma única sessão ou uma série de aplicações, definida na avaliação.


Isso substitui a cirurgia?

Em alguns casos, ajuda a adiar ou a evitar a cirurgia. Em outros, não é suficiente. A indicação depende do seu diagnóstico e dos seus exames.


Como isso se relaciona com os bloqueios?

Os produtos regenerativos podem ser aplicados com a mesma técnica dos bloqueios, guiados por imagem. Veja mais na página de Bloqueios e Infiltrações.


Quer saber se a medicina regenerativa é indicada para você?

Uma avaliação cuidadosa define se existe indicação, qual produto é mais adequado e qual é o melhor momento.


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Sobre o Profissional

Dr. Ivan Dias da Rocha


Ortopedia e Cirurgia da Coluna | CRM-SP 108277 RQE: 102191


Graduado em medicina pela USP, Dr. Ivan fez residência médica e especialização em cirurgia da coluna no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (IOT-HCFMUSP), onde é Chefe do Grupo de Coluna.


Possui mestrado com ênfase no tratamento da dor pela mesma instituição e fez mais de 20 cursos no exterior na área de cirurgia da coluna.


É pós-graduado em dor pelo Hospital Albert Einstein e em medicina regenerativa, com título concedido pela American Society of Regenerative Medicine. Fez também curso de intervenções guiadas por ultrassom no Hospital das Clínicas.

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