O que é uma vértebra de transição?
A coluna lombar normalmente tem cinco vértebras (L1 a L5), apoiadas no sacro. Em algumas pessoas, essa região nasce com uma variação anatômica chamada vértebra lombossacra de transição, que pode se apresentar de duas formas:
- L5 sacralizada: a última vértebra lombar fica parcial ou totalmente unida ao sacro.
- S1 lumbarizada: a primeira vértebra do sacro fica separada e se parece com uma vértebra lombar.
É uma condição de nascença e relativamente comum: os estudos apontam de cerca de 4% a 35% das pessoas, conforme o método de avaliação e a população estudada. Na maioria dos casos, não causa sintoma algum e é descoberta por acaso em um exame feito por outro motivo.
Se geralmente não dói, por que merece atenção?
Porque a vértebra de transição muda a mecânica da região lombar. O segmento de transição tende a ser mais rígido, e parte da sobrecarga passa para o segmento móvel logo acima. Com os anos, isso pode favorecer o desgaste precoce do disco intervertebral, a chamada discopatia degenerativa.
Isso não significa que todo paciente com vértebra de transição vai desenvolver problemas. Significa que o achado deve ser interpretado dentro do contexto clínico de cada pessoa.
O que é a síndrome de Bertolotti?
A síndrome de Bertolotti é o quadro em que a própria vértebra de transição é a fonte da dor lombar. Em alguns pacientes, o processo transverso da última vértebra lombar é alargado e entra em contato com o sacro, formando uma articulação anormal (pseudoarticulação) ou até uma fusão óssea. Esse ponto pode se inflamar e causar dor, e em alguns casos pode haver dor na nádega ou irradiação para a perna.
Importante: ter uma vértebra de transição não é o mesmo que ter síndrome de Bertolotti. A maior parte das pessoas com a alteração não tem a síndrome, e muitas dores lombares têm outras causas.
Quais são os sintomas?
- Dor lombar baixa, muitas vezes de um lado só
- Dor que piora ao inclinar o tronco para trás ou girar
- Dor na região da nádega
- Em alguns casos, dor que desce pela perna
Esses sintomas são inespecíficos e podem aparecer em outras condições da coluna, por isso a avaliação médica é necessária.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da síndrome de Bertolotti é de exclusão e combina várias etapas:
- Avaliação clínica: história da dor e exame físico detalhado.
- Exames de imagem: radiografia, ressonância magnética e, quando necessário, tomografia computadorizada, para identificar o tipo de vértebra de transição (classificação de Castellvi) e avaliar discos, facetas e nervos. Em casos selecionados, podem ser usados exames de medicina nuclear.
- Exclusão de outras causas: hérnia de disco, estenose de canal, alterações da articulação sacroilíaca ou do quadril.
- Bloqueio diagnóstico: aplicação de anestésico, guiada por imagem, no local suspeito. Se a dor melhora de forma evidente, isso ajuda a confirmar que aquela região é a origem do problema.
.
Como é o tratamento?
O tratamento é individualizado e, na maioria das vezes, começa de forma não cirúrgica, com medidas como:
- Controle da dor com medicação
- Fisioterapia e fortalecimento da musculatura de sustentação da coluna
- Orientações de postura e atividade física
- Procedimentos de infiltração, quando indicados
A cirurgia é reservada para casos selecionados, em que o diagnóstico está bem definido e o tratamento conservador não trouxe resultado adequado. Cada caso exige avaliação individual.
Perguntas frequentes
Vértebra de transição é uma doença?
Não. É uma variação anatômica de nascença. Na maioria das pessoas não causa sintomas.
Preciso operar se tenho vértebra de transição?
Não. A grande maioria dos casos não precisa de cirurgia, e muitos nem precisam de tratamento. A indicação depende de sintomas, exames e avaliação médica.
A vértebra de transição pode causar hérnia de disco?
Ela pode contribuir para o desgaste mais precoce do disco acima do segmento de transição, mas isso varia de pessoa para pessoa.
Meu laudo cita “vértebra de transição”. Devo me preocupar?
Não necessariamente. O laudo descreve um achado de imagem, que precisa ser avaliado em conjunto com seus sintomas e exame físico.
Quando procurar um especialista?
Procure avaliação com um cirurgião de coluna se você tem dor lombar persistente, dor que irradia para a perna, ou se recebeu um laudo de imagem com vértebra de transição e tem dúvidas sobre o significado dele para o seu caso.
Agende sua avaliação com o Dr. Ivan Dias da Rocha (CRM-SP 108277), Cirurgião de Coluna e Chefe do Grupo de Coluna do IOT-HCFMUSP.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual.

Sobre o Profissional
Dr. Ivan Dias da Rocha
Ortopedia e Cirurgia da Coluna | CRM-SP 108277 RQE: 102191
Graduado em medicina pela USP, Dr. Ivan fez residência médica e especialização em cirurgia da coluna no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas (IOT-HCFMUSP), onde é Chefe do Grupo de Coluna.
Possui mestrado com ênfase no tratamento da dor pela mesma instituição e fez mais de 20 cursos no exterior na área de cirurgia da coluna.
É pós-graduado em dor pelo Hospital Albert Einstein e em medicina regenerativa, com título concedido pela American Society of Regenerative Medicine. Fez também curso de intervenções guiadas por ultrassom no Hospital das Clínicas.